Pacto UE-China sobre produtos especiais oferece um futuro promissor às exportações europeias
De: Luigi Chiarello - Italia Oggi |
Em junho, a UE e a China publicaram uma lista de 200 indicações geográficas (IG) protegidas nos respetivos mercados, no âmbito de um acordo bilateral a concluir até dezembro. Declara o Italia Oggi, parceiro da EURACTIV.
Ambas as partes apresentaram 100 denominações respetivamente, embora muitos produtos europeus, sobretudo italianos, não constem da lista.
Tal acontece porque os critérios de seleção da Comissão Europeia para as suas 100 denominações consideraram o volume do mercado de IG na China e o risco potencial de contrafação. Assim, o único produto do sul de Itália incluído na lista foi o buffalo mozzarella.
Aquando da redação do acordo, a Comissão encetou de imediato negociações com os Estados-membros para incluir outros produtos na lista.
Uma primeira versão acrescentou mais 162 produtos europeus e indicações geográficas protegidas (IGP), incluindo cinco artigos sicilianos, inteiramente selecionados com base na procura estimada na China. De facto, em janeiro, a China eliminou as suas barreiras fitossanitárias que tinham impedido as importações dos citrinos sicilianos.
A deputada italiana, Michela Giuffrida (Grupo S&D), membro suplente da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu, solicitou à Comissão a inclusão de mais produtos sicilianos na nova lista, a fim de garantir a “representação territorial dos produtos insulares”.
E declarou ainda ao Italia Oggi: “Gostaria que outras partes interessadas participassem nestas consultas, como consórcios e outras organizações de produtores, pois acredito que isso daria mais credibilidade às negociações europeias, adaptando-as mais às exigências e ao potencial do mercado.”
A legisladora italiana acrescentou: “Esta lista de produtos protegidos na China não significa que só os produtos constantes da lista serão promovidos na China. Aqui ninguém é excluído.”
“Na realidade, determinadas empresas não estão dispostas a suportar os custos. Alguns produtores sicilianos foram convidados a participar, juntamente com uma delegação europeia em duas grandes feiras agroalimentares no Irão e na Arábia Saudita, mas recusaram o convite por considerarem que não compensava financeiramente.”
Giuffrida sublinhou que o caminho está livre e que a gama de produtos acordada com a China deve ser alargada, Acrescentou que o “atrativo” das IG é evidente e que os produtos que ostentam o selo de aprovação são frequentemente alvo de interesse crescente a nível da procura e das vendas no estrangeiro.
Os produtos chineses que aspiram à obtenção do estatuto de IG na UE incluem: Yantai Ping Guo (maçã Yantai), Hengxian Mo Li Hua Cha (chá de jasmim), Panjin Da Mi (arroz) e Baise Mang Guo (manga de Baise).
O mercado chinês dos produtos agroalimentares é um dos maiores do mundo e continua a crescer de ano para ano, alimentado por uma classe média em franco crescimento que desenvolveu o gosto pelas bebidas e alimentos europeus, muitas vezes no decurso das suas viagens internacionais cada vez mais frequentes. O país também conta com uma profusão de indicações geográficas que os consumidores europeus ainda não conhecem.
O acordo bilateral entre a Europa e a China foi recebido com satisfação pela Confederação de Agricultores Italianos, Coldiretti, que declarou que “a proteção de produtos italianos da concorrência desleal causada pelos produtos contrafeitos e as imitações impulsionará as exportações de produtos alimentícios italianos”.
Segundo dados oficiais, o consumo chinês de produtos italianos aumentou 19% no primeiro mês de 2017 e as exportações de produtos alimentícios ascenderam a 391 milhões de euros em 2016. O setor vitivinícola foi o grande vencedor, tendo a China adquirido 101 milhões de euros das melhores garrafas italianas.