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Alimentos de qualidade garantem o lugar de Espanha no mercado globalizado

De: Laura Cristóbal - EFEAgro |

 

Espanha é uma verdadeira potência agrícola: um milhão de explorações agrícolas em 30 milhões de hectares de terras que absorvem 45 mil milhões de euros nos pagamentos da política agrícola comum (PAC), geram 11% do PIB espanhol e 20% das suas exportações no valor de 48 mil milhões de euros. Se há um aspeto que mantém a agricultura espanhola concorrencial na era da globalização é a qualidade dos seus produtos. A EFEAgro é parceira da EURACTIV.

A ministra espanhola da Agricultura e Pesca, Alimentação e Meio Ambiente (Mapama), Isabel García Tejerina, certa vez descreveu Espanha como “o vinhedo, o lagar e o pomar do mundo”, em alusão à qualidade dos seus produtos e à capacidade de exportação.

Esta posição foi alcançada graças aos esforços dos agricultores, da agroindústria e dos distribuidores de produtos alimentares, com o apoio das administrações locais e nacionais.

 

A qualidade é fundamental

 

“A qualidade é fundamental nos mercados globais”, declarou à EFEAgro o secretário-geral da Agricultura e Alimentação no Mapama, Carlos Cabanas. “Demos prioridade ao trabalho a nível da rastreabilidade, controlos e luta contra a fraude, bem como à adaptação das nossas normas de qualidade às novas tecnologias: ao longo dos últimos quatro anos, analisámos mais de 500 produtos.”

Cabanas frisou a importância de dar continuidade ao trabalho de “promoção da diferenciação que permite aos produtos espanhóis e europeus competir em melhores condições nos mercados internacionais”. Acrescentou ainda que a Comissão Europeia tem apoiado desde sempre um modelo de produção europeu centrado na qualidade “através de normas que nos têm proporcionado os mais elevados níveis de segurança alimentar”.

Espanha também aprovou uma lei relativa à melhoria do funcionamento da cadeia alimentar, que inclui instrumentos de acompanhamento e controlo da qualidade.

O Comissário da UE da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, anunciou recentemente uma iniciativa que consiste na introdução de requisitos mínimos para combater a concorrência desleal na cadeia de abastecimento alimentar. Segundo fontes da Comissão, “numa primeira fase, realizar-se-á uma consulta pública e apresentar-se-á uma avaliação de impacto caso a ação seja considerada necessária no primeiro semestre do próximo ano.”

A Federação Espanhola das Indústrias de Alimentação e Bebidas (FIAB) sublinhou o “forte compromisso do setor com a qualidade” e salientou o seu recurso a soluções inovadoras, como a plataforma tecnológica “Food For Life Spain”, para garantir a segurança e a elevada qualidade dos seus produtos alimentares.

 

O papel dos distribuidores

 

O presidente da Associação de Cadeias Espanholas de Supermercados (ACES), Aurelio del Pino, declarou à EFEAgro que os distribuidores “participam de duas maneiras” na salvaguarda da qualidade alimentar. “Tanto a nível daquilo que queremos que o produto seja quanto no que respeita às qualidades adicionais que pretendemos que tenha. No que se refere às nossas próprias marcas, o desafio é ainda maior, com controlos mais rigorosos dado que o produto ostenta o nosso nome.”

A associação celebrou um acordo de colaboração com a Origen España, uma organização central que abrange a maioria das indicações geográficas de Espanha e que executa “controlos adicionais”. Segundo Del Pino, os produtos frescos são sempre submetidos a um processo de controlo de qualidade exaustivo, tanto nos centros de distribuição quanto nos espaços de comercialização.

O presidente da ACES elogiou a capacidade dos distribuidores para “ditar” normas de qualidade, explicando que isso exerceu um efeito transformador no setor industrial.

O diretor-geral da Associação Espanhola de Distribuidores, Estabelecimentos de Livre Serviço e Supermercados (Asedas), Ignacio García Magarzo, sublinhou os efeitos da regulamentação da UE que proíbe e impõe sanções a determinadas práticas “porque não acrescentam valor e geram custos que prejudicam o consumidor”.

Frisou que a Asedas apoia os objetivos da referida regulamentação que “visa conferir transparência e estabilidade às relações comerciais”. No entanto, acrescentou: “Paralelamente, alertámos que devem ser evitados custos desnecessários gerados pela intervenção administrativa. A experiência dos últimos anos leva-nos a crer que a via da auto-regulamentação, se for tomada com seriedade, apresenta inúmeras oportunidades para os setores a nível da transformação das suas relações comerciais.”

E insistiu que “os agricultores devem adotar medidas estruturais para aumentar o seu poder negocial, ganhar influência e adaptar a sua produção ao mercado”.

Um mercado caracterizado pela globalização e diferentes modelos de produção no qual Espanha, e a União Europeia no seu conjunto, só podem sobreviver se arvorarem a bandeira da qualidade e do valor acrescentado.