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25/11/2017 05:00
Santiago do Cacém, Portugal
 

Portugal leads world cork exports, boosted by EU funds

 

 

 

Portugal na liderança das exportações mundiais de cortiça com impulso de fundos comunitários

Portugal assume a liderança das exportações mundiais de cortiça, impulsionado pelas campanhas de promoção internacional, como a Intercork III, financiada por fundos comunitários, avançou à Lusa o presidente da Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), João Rui Ferreira.

“Portugal tem feito um percurso, ao longo dos últimos anos, que o tem colocado numa liderança clara do ponto de vista das exportações mundiais de cortiça, mas também na vanguarda daquilo que é o desenvolvimento tecnológico e da competitividade e a dinâmica industrial do ponto de vista da inovação e do conhecimento dos recursos humanos”, vincou o responsável.

O sobreiro é, em termos de área, a segunda espécie florestal nacional, ocupando 716 mil hectares, predominantemente no sul do país. Esta área tem vindo a aumentar, embora a ritmo lento. A nível mundial, Portugal é o país com maior área de sobreiro e maior produção de cortiça.

Para João Rui Ferreira, este resultado tem sido estimulado pelas campanhas internacionais de promoção da cortiça, como a Intercork III, financiada por fundos comunitários e que abrange 10 mercados (Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, China, Brasil, Espanha, Suécia, Dinamarca e Reino Unido).

A campanha conta com o apoio do COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Apoio Sistema a Ações Coletivas (SIAC), envolvendo um investimento elegível de 7,8 milhões euros, o que resultou num incentivo FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional de 6,6 milhões euros.

O presidente da APCOR referiu que Portugal se destaca por ser um país exportador de produtos com valor acrescentado, entre os quais, se destacam as rolhas, que têm uma quota de mercado de cerca de 70%.

“Hoje, por cada euro exportado em cortiça, 85 cêntimos de valor acrescentado ficam no nosso país”, exemplificou.

De acordo com os dados da associação, referentes a 2016 (os últimos disponíveis), França é o principal mercado português, representando mais de 19% do valor total das exportações, com 178,484 milhões de euros.

Espanha (112,671 milhões de euros), Itália (95,367 milhões de euros), Alemanha (75,011 milhões de euros) e o Reino Unido (28,984 milhões de euros) completam os primeiros lugares da tabela.

“A expectativa para 2017 é de que estes valores cresçam, porque estamos a ter um aumento das nossas exportações, até setembro, na casa dos 4%, comparado com 2016”, adiantou o presidente da associação.

A seguir à exportação de rolhas, destacam-se os materiais de construção, com uma quota de, sensivelmente, 23% e os restantes 5% correspondem a outras aplicações, por exemplo, na área dos transportes, calçado e têxtil.

De 2007 a 2014, os instrumentos disponíveis no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional foram “os principais apoios disponíveis para o investimento na indústria da cortiça”, segundo o estudo de caracterização setorial, elaborado pela APCOR.

Neste período, foram homologados 184 projetos, com um montante de investimento elegível previsto de 146 milhões de euros, cujos promotores eram empresas da indústria da cortiça, outras entidades com ligações à indústria ou empresas de outros setores, mas cujos projetos tinham aplicação à indústria da cortiça ou envolviam a utilização de cortiça. Estes projetos correspondem, respetivamente, a 1,3% do número total de projetos e 1,4% do investimento a nível nacional, segundo a mesma fonte.

Foram ainda aprovados 33 outros projetos que, não sendo provenientes da indústria da cortiça, estavam com ela relacionados.

De acordo com a APCOR, em Portugal, existem 677 empresas a desenvolver a sua atividade no setor da cortiça, empregando 8.324 trabalhadores, que auferem um salário de referência na ordem dos 760 euros.

PE//

Lusa/Fim