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Macau, China 25/02/2009 16:27 (LUSA)
Temas: Artes, Cultura e Entretenimento
Macau, China, 25 Fev (Lusa) - A venda do espaço da Livraria Portuguesa no centro de Macau “é uma perda para a cidade” que “ficará mais pobre” em termos culturais, defendeu hoje o poeta e tradutor Yao Jing Ming.
Professor de tradução na Universidade de Macau, Yao Jing Ming confessa-se um “consumidor” da cultura da Livraria Portuguesa, que classifica não só como um “local de difusão” da língua portuguesa, mas também como um “ponto de encontro” de todos os que falam português.
“A Livraria Portuguesa é um importante espaço da nossa vida cultural, é um ponto de encontro das pessoas e a sua venda constitui uma perda para todos e para a cidade de Macau”, afirmou.
Com livros de Virgílio de Andrade, Sofia de Mello Breyner ou Fernando Pessoa traduzidos para chinês, Yao Jing Ming está actualmente a traduzir Ramos Rosa naquele que será o seu “décimo terceiro ou décimo quarto” livro de autores portugueses publicados em chinês.
Yao Jing Ming, que assume a sua preferência pela poesia e tem cinco obras suas editadas em português e chinês, começou a tradução de autores portugueses nos anos 1980 com a Antologia da Poesia Moderna de Portugal, num trabalho feito a quatro mãos com o seu professor Sun Cheng Ao.
Além da “excelente localização” do actual espaço da Livraria, Yao Jing Ming sublinha também que um outro espaço “não será tão central” e terá o problema de ir substituir aquilo que “já é um símbolo da cidade”.
As pessoas sabem que ao entrarem na Rua das Mariazinhas “vão encontrar a Livraria Portuguesa que, sendo um símbolo, é também um marco da cultura de Macau”.
O Instituto Português do Oriente, detido em 51 por cento pelo Estado Português através do Instituto Camões, anunciou a opção de venda do espaço da Livraria Portuguesa em Macau, uma decisão que a Casa de Portugal e a Associação dos Macaenses consideram errada.
Sem resposta a cartas enviadas para o Governo português, a Casa de Portugal em Macau lançou na Internet uma petição a ser enviada aos órgãos de soberania e partidos políticos portugueses contra a venda do espaço e que ao segundo dia de recolha de assinaturas já tinha 1.500 registos de nomes, não só de Macau, mas também de Portugal e de países onde existem comunidades macaenses.
Em declarações à Agência Lusa em Lisboa, Madalena Arroja, directora do serviço responsável pelo ensino do português no estrangeiro do Instituto Camões (IC) explicou que a venda das instalações da Livraria Portuguesa de Macau tem como objectivo criar um fundo para o desenvolvimento do ensino do português naquele território.
"Está a ser ponderada a hipótese de se vender a instalação com o objectivo de criar um fundo para o desenvolvimento do ensino da Língua Portuguesa em Macau", disse.
A Livraria Portuguesa foi criada em 1985 pelo Instituto Cultural, passando mais tarde para a alçada do IPOR e está a ser explorada actualmente por uma empresa dirigida por Aloísio Fonseca, um dos primeiros presidentes do IPOR.
Com a mudança de instalações, mudará também a gestão da Livraria, que será concedida a um outro privado num anúncio que deverá ser formalizado em breve.
JCS.
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