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China/França: Pequim insiste que Sarkozy deve "corrigir práticas erradas"

    

Número de Documento: 9096238

Pequim, China 09/12/2008 09:40 (LUSA)
Temas: Política, Diplomacia

   

Pequim, 09 Dez (Lusa) – A China renovou hoje as críticas a Nicolas Sarkozy por este se ter encontrado com o Dalai Lama, mas não precisou que medidas a França deve tomar para melhorar as relações bilaterais.

O encontro do presidente francês com o Dalai Lama, sábado passado, na Polónia, “minou gravemente os fundamentos políticos” das relações sino-francesas “e isso tem também um impacto negativo nas relações económicas”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Jianchao.

Questionado sobre as medidas que Paris deve tomar para ultrapassar a actual crise, o porta-voz respondeu apenas: “A França sabe muito bem como corrigir práticas erradas”.

Numa sondagem feita por um dos mais conhecidos portais chineses da Internet, “mais de 93 por cento” dos inquiridos disseram que a sua imagem da França estava a piorar.

E “cerca de 95 por cento” concordaram com a decisão do governo chinês de adiar a Cimeira anual com a União Europeia em sinal de protesto pelo anunciado encontro de Sarkozy com o exilado líder espiritual dos tibetanos.

A Cimeira estava marcada para 01 de Dezembro em França, pais que até ao final de 2008 detém a presidência da UE.

“A data do encontro com o Dalai Lama, muito próxima da Cimeira, era de facto embaraçosa, mas a reacção chinesa é um pouco desproporcionada e parece revelar sobretudo uma grande antipatia pessoal (por Sarkozy)”, comentou um diplomata europeu.

Numa outra sondagem feita na Internet, e divulgada hoje pelo China Daily, o jornal oficial chinês de língua inglesa, cerca de 80 por cento dos inquiridos responderam que não aceitariam um pedido de desculpas de Sarkozy.

Para o governo chinês, o Tibete é parte integrante da China e o Dalai Lama, o líder espiritual dos tibetanos, exilado há meio século na vizinha Índia, “não é uma figura religiosa, mas uma personalidade política, empenhada em actividades separatistas”.

Em Abril, a passagem da tocha olímpica em Paris ficou marcada por protestos contra a actuação do governo chinês no Tibete, o que suscitou uma campanha de boicote aos produtos franceses na China.

Há uma semana, um apelo idêntico lançado na Internet recebeu ao fim de uma hora 3.000 mensagens de apoio e três dias já tinha mais de 100.000 apoiantes, avisava sexta-feira um jornal chinês.

AC.

Lusa/Fim