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Pequim2008: Brasil entra no conflito Rússia-Geórgia pelo campo do voleibol de praia

    

Número de Documento: 8649737

Pequim, China 13/08/2008 10:21 (LUSA)
Temas: Desporto, voleibol de praia, Jogos Olímpicos de Verão

   

Pequim, 13 Ago (Lusa) – A equipa russa recusou-se admitir a derrota de hoje face à Geórgia no torneio olímpico de voleibol de praia feminino porque as jogadoras da equipa adversária são de origem brasileira, mostrando que o conflito armado entre os dois países também esteve em campo.

"Na verdade não jogámos contra a equipa da Geórgia. Estivemos aqui a jogar contra as nossas amigas brasileiras”, afirmou no final da prova à imprensa a jogadora russa Natalia Uryadova.

Os comentários da jogadora russa aconteceram no fim do jogo em que Uryadova e a sua colega de equipa Alexandra Shiryaeva perderam, 2 sets a 1 para a equipa da Geórgia, composta pelas jogadoras Andrezza Chagas e Cristine Santanna, ambas com origem brasileira mas a competir pela Geórgia.

"Se elas fossem da Geórgia, certamente que isso as ia influenciar mas elas não são [da Geórgia]", observou Uryadova, garantindo que o conflito militar Geórgia-Rússia não afectou o desempenho de nenhuma das equipas em campo.

As declarações da equipa russa evidenciaram o simbolismo político no final do encontro, trazendo a política para o campo de voleibol de praia e lançando o Brasil no conflito Rússia-Geórgia.

A competição feminina começou com uma atmosfera de desportivismo e amizade com a dupla da Geórgia a cruzar o campo para cumprimentar as suas adversárias russas.

Apesar da Rússia e a Geórgia terem concordado com o plano de paz proposto na terça-feira pela União Europeia, a partida olímpica acabou por assumir a tensão política entre os dois países vizinhos.

O cessar-fogo aconteceu depois das forças russas terem invadido a Geórgia na semana passada depois da tentativa da Geórgia de retomar o controlo político na região da Ossétia do Sul, apoiada por Moscovo desde que se separou da Georgia no início da década de 90.

Shiryaeva também escolheu palavras duras e culpou a "estupidez" da Geórgia pelo início do conflito armado.

"Foi muito estúpido da Geórgia começar a guerra com a Rússia porque a Russia é muito grande e a Geórgia muito pequena", notou, acrescentando que “eu não gosto da guerra”.

Finalizada a prova, as jogadoras da Geórgia assumiram uma postura menos política e mais amigável, com Santanna a distanciar-se dos comentários de Uryadova.

"Eu sinto-me georgiana. Tenho um passaporte da Geórgia e um passaporte brasileiro”, afirmou Santanna, acrescentando que “nos últimos dois anos lutámos para estar aqui como uma das 24 equipas”.

"Não quero que isto seja uma guerra entre nós. Eu admiro-as e respeito-as como jogadoras”, assegurou Santanna.

Loura e bronzeada, com 1,81cm de altura, Santanna admitiu que desconhecia o hino nacional da Geórgia e disse que ela e Chagas só estiveram duas vezes na Geórgia.

Mas Santanna, 29 anos, referiu que estava pronta para abandonar os JO devido à guerra e em solidariedade com o resto da equipa, até que a comissão olímpica oficial da Georgia decidiu permanecer em Pequim.

Santanna e Chagas, competem registadas com os seus nomes georgianos, Rtvelo e Saka, respectivamente, que associados formam o nome do país no idioma da Geórgia.

Ambas as jogadoras receberam passaportes da Geórgia com o apoio do Presidente Mikheil Saakashvili, cuja mulher é ex-jogadora de voleibol.

O jogo de voleibol foi o segundo confronto entre as duas nações nos Jogos Olímpicos de Pequim desde o início das hostilidades militares do conflito russo-georgiano.

A russa Natalia Paderina conquistou a medalha de prata na competição feminina nos 10 metros de Pistola de Ar, classificando-se à frente de Nino Salukvadze da Geórgia, mas as duas amigas próximas abraçaram-se no pódio.

VZP

Lusa/Fim