Número de Documento: 10341824
Macau, China 12/11/2009 14:33 (LUSA)
Temas: Artes, Cultura e Entretenimento
Macau, China, 12 Nov (Lusa) - João Vasco Paiva é o único artista plástico português a participar no festival internacional Microwave New Media Arts, que arranca sexta-feira em Hong Kong, com uma instalação de 120 pássaros-robots que estruturam o ambiente numa pauta musical.
Subordinado ao tema “Transformação da Natureza”, o festival da ex-colónia britânica convidou este ano João Paiva para expor a sua peça “Chirps” numa mostra no lobby do “Langham Place Hotel”, até 11 de Dezembro, ao lado de criações de artistas da Alemanha, Singapura e Estados Unidos.
“Vou apresentar uma instalação com 100 a 120 pássaros-robots que reagem a pássaros reais, mas nesta exposição não será possível ter pássaros reais, por isso, os robots vão reagir a sons envolventes através de câmaras, microfones e sensores, funcionando como uma orquestra que interpreta e transforma a envolvência numa pauta musical”, explicou João Paiva em declarações à agência Lusa.
Em Janeiro, a peça será apresentada, juntamente com pássaros reais, numa exposição em Hong Kong que estará disponível ao longo de um mês.
O artista prepara-se também para a Bienal de Hong Kong, de 2010, onde vai marcar presença com o trabalho “Wide Rothko”, que transforma um vídeo de carácter documental, ao retratar uma viagem entre Hong Kong e Zhongdhian, num novo tipo de visualização, que recorre aos efeitos da multiplicação e extensão de imagem, criando um novo espaço/tempo cinematográfico.
Natural de Coimbra, João Vasco Paiva, de 29 anos, partiu para Hong Kong com uma bolsa da Fundação Oriente para realizar um mestrado em Belas Artes e três anos depois não pondera regressar à terra-natal.
Convidado para dar aulas na School of Creative Media da City University de Hong Kong, João Paiva acabou por encontrar na Região Administrativa Especial da China as condições propícias para desenvolver o conhecimento e experiência na área de “digital media”.
“A situação em Hong Kong foi favorável, desde o convite para leccionar ao apoio de instituições como a Videotage, em que fui aceite numa residência artística que começa em Janeiro, e da Cogent Property, que me forneceu um estúdio com uma renda simbólica num edifício para artistas e associações culturais”, explicou à Lusa.
Por outro lado, Hong Kong apresentou-se ao artista como o cenário perfeito para a criação perante a “dualidade que apresenta e que se reflecte no facto de ser uma sociedade ocidentalizada, mas exagerada que causa estranheza a um português, sendo facilmente caricaturizada”.
“A minha situação como ‘outsider’/imigrante/turista proporciona o distanciamento necessário para o amadurecimento do meu fazer artístico, que procura caracterizar uma cultura através de aspectos visuais e sonoros”, salientou.
Fascinado pela tecnologia, mas também pela pintura e desenho, João Vasco Paiva busca uma interactividade entre os materiais que, com base na etnografia experimental, se reflecte na transformação do quotidiano em diferentes formatos.
Por isso, desde 2005 vem a recolher imagens e sons gravados na China e Sudeste Asiático que, através de computação e notação de imagem, sons e padrões físicos, são analisados e poetizados.
João Vasco Paiva é já uma das promessas artísticas de Hong Kong e Portugal, que tem promovido o talento nacional pelas principais capitais culturais do mundo, desde Londres, a Atenas, Viena, São Paulo, Pequim, onde já participou em diversos festivais internacionais de artes.
PNE.
Lusa/fim